Cartilha da TV Digital


A TV analógica persiste economicamente, socialmente, cientificamente, politicamente, tecnologicamente, comercialmente e qualquer outro advérbio terminado em "mente" será afetado por essa nova forma de ver TV. A TV analógica persiste desde as experiências com disco de Nipkov1, considerando por muitos como o inventor da TV. A única novidade foi a introdução das cores, em 1950 nos Estados Unidos; no Brasil elas chegaram no dia 19 de fevereiro de 1972, com a transmissão da Festa da Uva diretamente de Caxias do Sul. Eram apenas 500 televisores coloridos recebendo a transmissão.



O que é a TV analógica?
Tecnicamente falando, e de maneira simplificada, podemos dizer que a TV analógica forma a imagem e o som de modo contínuo. Por isso vemos hoje imagens com contornos borrados (principalmente nas partes coloridas), chuviscos provocados por interferências (secadores de cabelo, liquidificadores, motores de carros e de motocicletas de modelos mais antigos, com ignição convencional), fantasmas, ruídos, distorções na cor da pele das pessoas, dificuldade para ler textos e números pequenos e, além de tudo, ouvir um som pobre, que às vezes até vem em estéreo. Mas quando falamos em TV analógica estamos nos referindo somente à transmissão, porque nos estúdios, praticamente todas as emissoras já utilizam o formato digital. O telespectador é passivo (não interage com a mídia) e para assisti-la é necessário estar dentro de uma sala na hora que o programa vai ao ar.

O que muda com a TV Digital?
A TV Digital transforma cada minúsculo elemento da cena e do som em um número binário formado somente por zeros (0) e uns (1); é a mesma linguagem tecnológica dos computadores. E o que ela traz de diferencial para o telespectador? O primeiro grande impacto é a alta definição, que aparece na mídia com as siglas HD (High Definition - Alta Definição) ou HDTV (High Definition Television - Televisão de Alta Definição) em inglês. Alta definição significa ver mais detalhes na imagem, como nos cinemas, por exemplo. A introdução da HDTV será gradual, mas as transmissões já iniciaram no formato digital com resolução comum, conhecida como SD (Standard Definition). O telespectador vai sentir a diferença porque as distorções da TV analógica, já citadas, desaparecerão, ou seja, teremos uma imagem limpa e som com qualidade de CD.

Som Surround 5.1
É um som com seis caixas acústicas, realce dos graves, conhecido na mídia como som de Home Theater. Esse som somente será usado com HDTV.

Tela no formato 16:9
Esse número é a relação entre Largura e Altura da tela. Às vezes é chamada de “tela de cinema” ou “tela larga”. Esse formato permite ver mais áreas das cenas do que a TV analógica, cuja relação é 4:3 (tela quase quadrada). Essa característica, em coberturas esportivas, nos dá a sensação de estarmos assistindo o evento no local em que o mesmo está acontecendo. Os analistas técnicos terão de ter mais cuidado nos seus comentários, porque estaremos com mais informações na tela3.

Mobilidade e Portabilidade
São características que vão acabar com a angústia de chegar rapidinho em casa para não perder determinado programa. O nosso sistema de TV digital permite que os programas possam ser vistos dentro de ônibus, carros, barcos, aviões, em notebooks, em celulares com os telespectadores em movimento, nos desk tops dos escritórios ou até com receptores de bolso.

Multi-programação
É uma alternativa para a alta definição, que permite assistir a programas diferentes no mesmo canal, ou ver o mesmo programa com vários ângulos/posições diferentes - muito bom para esportes em geral. Poderá reduzir conflitos em casa: um assiste à novela, o outro assiste ao noticiário, um terceiro assiste a programas esportivos etc. Esse recurso é configurável e a emissora poderá diminuir o número de canais aumentando a resolução. Por exemplo: dois programas com resolução maior que o SD, mas menor que o HD. Para usar esse recurso, precisa ter um aparelho para cada programa, até porque o áudio vem embutido no vídeo do programa.

Interatividade
Permite fazer compras pela TV sem ter que usar telefone, votar em pesquisas, consultar o guia de programação das emissoras, realizar operações bancárias, acessar à internet, além de outros serviços que vão aparecer à medida que a TV digital for se consolidando em todo o país.

O que eu preciso fazer para assistir TV Digital?
Essa resposta vai depender dos desejos e das facilidades técnicas que cada um tem hoje no seu endereço residencial ou profissional. A primeira providência é verificar se nos seus endereços é possível receber imagem de TV em UHF (Ultra High Frequency - Freqüência Ultra Alta), utilizando antena interna. Essas antenas são pequenas e diferentes das normalmente vistas em instalações de antenas coletivas. A figura 2 mostra uma, só como referência. Se não for possível, será necessário instalar uma antena externa de UHF. Existem muitos modelos. A figura 2 mostra um modelo, entre vários disponíveis. Para tirar dúvidas sobre esse assunto é importante consultar um profissional de confiança.

Resolvido o problema da antena de UHF, é preciso conhecer um outro produto chamado de conversor de TV digital (Set-top box). Para que serve o conversor?

Basicamente para executar três funções:
1 - Converte o sinal da TV digital em sinal analógico para serem captados pelos atuais televisores analógicos ou para as telas de LCD e de Plasma. Atualmente já existem modelos de televisores com o conversor embutido.

2 - Possibilita a interatividade.

3 - Permite funções adicionais como, por exemplo, usar um disco rígido chamado PVR (Personal Video Recorder - que substitui os atuais videocassetes, mas com qualidade digital) para gravar programas. A indústria oferece vários tipos de conversores, desde os mais simples, que só atendem ao item 1, aos mais sofisticado, que atendem aos três itens. Veja na figura 3 - um conversor.